quinta-feira, 12 de março de 2015

Seremos todos Charlie? (O caso dos cartoons)



“Somos todos Charlie”, esta frase dita e usada por quase todos dizia respeito a um jornal que foi alvo de um brutal atentado por publicar cartoons. “Somos todos Charlie” queria no fundo dizer que defendemos a liberdade de imprensa e a liberdade de expressão, ninguém deve morrer nem ser condenado por fazer aquilo que foi, segundo alguns no caso de Portugal, uma das grandes conquistas de Abril, precisamente a liberdade de expressão e a liberdade de imprensa.
Chegou ao fim o longuíssimo processo dos cartoons que a Drª Elsa Grilo moveu contra o cartoonista António Cadete, Manuel António Torneiro e a mim próprio a propósito de uns cartoons, publicados no jornal “O Despertador” da autoria de António Cadete e que eu depois replicava no meu blog “Câmara dos Comuns”. Chegou ao fim e aumentou a minha profunda convicção de que o nosso sistema judicial tem um longo caminho a percorrer, o nosso sistema judicial e quem dele faz parte terá muito que mudar para um dia ambicionar “ser Charlie”, ao condenar alguém por fazer sátira, o tribunal de Elvas condenou também Gil Vicente, Jorge Ferreira de Vasconcelos, António Ferreira, José Vilhena….enfim, o tribunal de Elvas condenou também o “Charlie Hebdo”.
Manuel António Torneiro foi ilibado por morte, António Cadete e eu próprio fomos condenados.
Tenho a perfeita noção que o alvo principal era eu, embora tenha vindo a ser o que teve a menor pena. Lamento que para me atingirem politicamente tenham levado na “maré” um SENHOR, aliás, um GRANDE SENHOR da nossa cidade chamado António Cadete. António Cadete que é hoje diga-se, uma pessoa em final de vida, surdo, quase cego e com pouca saúde e que se viu enleado nos últimos 6 anos nas complicadas teias da justiça por……ter feito Cartoons!!
Sei que, infelizmente, o Sr. António Cadete terá sérias dificuldades em pagar a indeminização e as custas do tribunal pelo que, desde já digo, que pagarei do meu bolso a parte da indeminização que caberia a António Cadete. Passarei o cheque à Drª Elsa Grilo no próximo dia 26. Sei que entretanto um grupo de amigos e admiradores de António Cadete estará a organizar um evento de angariação de fundos que espero tenha uma participação elevada pois para além da indemi
nização à Drª Elsa Grilo há que pagar ainda milhares de euros de custas.
Quer eu, quer o Sr. Cadete tivemos defensores oficiosos, ou seja, nomeados pelo tribunal, pessoas de muito valor que se tiveram de confrontar com o reputado e caríssimo João Nabais, advogado pago pela Câmara Municipal e portanto com o dinheiro de todos nós. A desproporção de meios e recursos é enorme quando uns têm que se defender a suas expensas enquanto outros podem atacar a expensas de todos.
Umas últimas palavras para a Drª Elsa Grilo: Minha cara Drª, irá receber dinheiro de uma pessoa que vai sofrer para pagar o processo, eu pagarei parte porque sou, como sempre fui, solidário com aqueles que apenas cometeram o crime de desenhar cartoons, fui e serei sempre solidário com quem usa da liberdade de expressão que a lei lhe dá.
A mim custa-me pagar porque me sinto injustiçado mas felizmente não ficarei melhor nem pior, para o Sr. Cadete esta será a maior machadada da sua vida, ficará, se as tiver, sem as poucas poupanças de uma existência e viverá o resto dos seus dias com pior qualidade de vida. Lamento profundamente. Pelo meu lado assim que soube que os cartoons a estavam a incomodar retirei-os de imediato do blog, como bem sabe e como ficou provado em tribunal, e já tive oportunidade de lhe dizer que se se sentiu ofendida lamento tal facto.
Faço-lhe então um apelo: Já que vai privar um idoso das suas poupanças, do seu pé-de-meia, não fique com o dinheiro para seu uso pessoal. Por favor, pondere com seriedade entregar o dinheiro a uma ou mais Associações de cariz social do nosso concelho. Não use o pé-de-meia de um pobre reformado para seu benefício, pratique aquilo que defende todos os dias na sua página, faça o bem, ajude o próximo e doe o dinheiro a quem dele precisar, pelo menos dessa maneira o Sr. Cadete poderá sentir que o que lhe vai faltar a ele está a ser utilizado por outras pessoas que precisam.
Foi o final deste desgastante processo. Um processo que viu falecer um dos arguidos que por esta via desapareceu, felizmente, de cadastro limpo e tem até uma rua na cidade de Elvas, falo de Manuel António Torneiro. Tenho a consciência tranquila e agi sempre segundo ela, só lamento que se vá, provavelmente, penhorar a reforma do senhor Cadete para além de lhe irem ficar com as poucas poupanças, um artista como este merecia um final de vida bem mais digno!
Chegaram até aqui? Partilhem por favor!

domingo, 1 de março de 2015

+Portugal, Investir+


Jornadas PSD / CDS-PP
+Portugal, Investir+
Portalegre, 25 de fevereiro de 2015
Intervenção de Tiago Abreu (CDS-PP)
Muito boa noite a todos.
Senhor Ministro, Senhora Presidente da Câmara Municipal de Portalegre, Senhor Presidente da Distrital do PSD, caros amigos.
Na sua pessoa, Senhor Ministro, saúdo todo o Governo do nosso país. Não tenho dúvidas em afirmar que se trata de um governo corajoso e que está a ser o mais reformista de todos os governos que já exerceram funções em Portugal.
Cumprimento também todos os amigos e companheiros do CDS e do PSD que se juntaram a nós nesta sessão de Portalegre das jornadas conjuntas entre os nossos dois partidos. Umas jornadas que se focam no investimento. Jornadas viradas para o futuro.
Ora quando se quer falar de futuro não fica bem estar a repisar o passado. Até porque os portugueses sabem muito bem em que situação estava o país em 2011.
De lá para cá, estivemos a lançar as sementes estruturais para o futuro.
Lançámos reformas ao nível da concorrência, ao nível do mercado de trabalho, reformas no aparelho judicial e na própria fiscalidade.
Demos força à nossa economia; diminuímos a burocracia; injectámos eficiência ao Estado; demos confiança aos investidores; restituímos a credibilidade nacional.
No fundo, recuperámos Portugal!
Mas nada disto foi fácil de concretizar.
Houve que apertar o cinto - e quando o fazíamos, a oposição acusava-nos de insensibilidade social !
Houve que reorganizar o Estado - e quando o fazíamos, a oposição acusava-nos de ceder à troika !
E houve que repor a justiça social - mas quando o fazíamos, aí já a oposição nos acusava de eleitoralismo !
E hoje temos resultados para apresentar.
• Aumentámos o Salário Mínimo.
• Aumentámos as Pensões Mínimas Sociais e Rurais pelo quarto ano consecutivo para mais de 1 milhão de pessoas.
• Introduzimos as Tarifas Sociais de energia que abrangem hoje mais de 500 mil pessoas.
• Fizemos a Reforma do IRS e do IRC, garantindo mais competitividade às empresas portuguesas
• Abrimos mais de 200 espaços do cidadão
• Duplicámos a oferta de camas de cuidados paliativos nos hospitais
• Criámos o Programa de Emergência Social
• Criámos o Mercado Social de Arrendamento com mais de 3 mil casas para famílias sobre endividadas ou em situação de desemprego
• Combatemos a fraude no Regime do Rendimento Social de Inserção
• Aumentámos o subsídio de desemprego para os casais com filhos em que ambos os pais estejam desempregados
• Lançámos os programas Impulso Jovem e Garantia Jovem, que em conjunto já beneficiaram mais de 200 mil jovens portugueses em programas de estágios profissionais
• Voltámos a lançar Programa de Estágios na Administração Local
• Executámos como nunca os fundos comunitários e simplificámos o novo Quadro Comunitário
• Reduzimos o abandono escolar precoce
• Renegociámos as PPP
• As receitas do Turismo cresceram
• Aumentámos a capacidade produtiva e exportadora da nossa indústria
• Os indicadores de confiança e de clima económico têm vindo a melhorar
• A partir do dia de hoje os menores de idade deixarão de pagar taxas moderadoras na saúde.
Temos hoje um país diferente daquele que recebemos para cuidar!
E o ano que passou prova-nos isso!
2014 foi o ano da retoma do investimento. Foi o ano em que assistimos a uma recuperação do investimento como já não víamos em muitos anos em Portugal.
Porquê? Porque não tivemos de criar mais dívida para vermos a nossa economia crescer e o investimento acontecer.
Isto quer dizer que encontramos hoje a economia a crescer e a comportar-se de um modo completamente diferente do que se comportava no passado.
É um modelo de crescimento sustentável. Ao contrário de outros países da Zona Euro, nós não vamos de balão de oxigénio em balão de oxigénio até nos aparecer a factura.
Portugal recuperou efectivamente a confiança internacional perdida! É preciso que todos saibam que nesta semana que passou poupámos 500 milhões de euros só em juros, e que temos consecutivamente diminuído os juros da dívida.
Com este clima de confiança, Portugal saberá atrair cada vez mais investimento estrangeiro. Por outro lado, os negócios domésticos e as indústrias portuguesas são cada vez mais sustentáveis e cada vez acrescentam mais valor ao nosso produto e ao nome de Portugal.
Caros amigos e companheiros, termino com uma nota de esperança.
Nós não temos ainda o país que queremos, mas temos o governo certo para lá chegar!
Muito obrigado!